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Teu corpo claro e perfeito, Teu corpo de maravilha Quero possuí-lo no leito Estreito da redondilha...
Teu corpo é tudo o que cheira... Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo branco e macio É como um véu de noivado... Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio, Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...
Teu corpo é chama e flameja Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes A água clara que serpeia, Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...
A todo momento o vejo... Teu corpo... a única ilha No oceano do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha, Teu corpo é tudo o que cheira... Rosa, flor de laranjeira...
Manuel Bandeira
Escrito por Laura às 01h17
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Te busquei em poesias e canções Até que finalmente te encontrei Te procurei na esperança de um dia te abraçar E do amanhã não se importar.
As rosas tem o polém Que as abelhas fazem o mel Você tem os olhos Que trazem o azul do céu.
Te encontrei em um jardim Porque um beija-flor veio a mim Mim falando que você Estava esperando por mim.
Com tudo isso escrevi Algo que nunca li somente para dizer Que o amanhã nao terá fim.
Eduardo
Escrito por Laura às 08h49
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Ó minha amada Que olhos os teus São cais noturnos Cheios de adeus São docas mansas Trilhando luzas Que brilham longe Longe nos breus...
Ó minha amada Que olhos os teus Quando mistério Nos olhos teus Quantos saveiros Quantos navios Quantos naufrágios Nos olhos teus...
Ó minha amada Que olhos os teus Se Deus houvera Fizera-os Deus Pois não os fizera Quem não soubera Que há muitas eras Nos olhos teus.
Ah, minha amada De olhos ateus Cria a esperança Nos olhos meus De verem um dia O olhar mendigo Da poesia Nos olhos teus.
Vinícius de Moraes
Escrito por Laura às 10h59
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É TEMPO DE PRIMAVERA
É tempo de brotar no caule virgem Flores que são, do jardim, o acessório, Lançando no ar um perfume incorpóreo, Deixando os sentidos em lânguida vertigem.
Cada flor, na natureza, é um incensório, Um arco-íris com vivas cores que tingem, A palingenesia da vida e com força atingem A Deus, tal prece em imenso oratório.
É primavera e os pássaros se afligem, Afinam cordas em ensaio preparatório Da cantata da vida em tom satisfatório, Maestros que verde sinfônica dirigem,
Para, em sustenido, despertar a aurora, Com olhos de sol mansos se abrindo, Neste tempo de primavera distribuindo A semente da vida pelo mundo afora.
Escrito por Laura às 07h54
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